Emails inéditos do criador da Bitcoin trazem mais curiosidades a respeito da moeda

Emails inéditos do criador da Bitcoin trazem mais curiosidades a respeito da moeda

Apesar de ninguém saber ainda qual a real identidade de Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin, uma das lendas em torno do nome dele acaba de cair por terra: apesar de ter sido o criador da criptomoeda mais famosa, não foi ele quem inventou o termo “criptomoeda” em si.

Esta é apenas uma das várias informações reveladas por Martti Malmi, conhecido como o primeiro colaborador de Satoshi na criação do Bitcoin. Malmi publicou no GitHub 120 páginas de e-mails trocados entre ele e Satoshi durante os anos de 2009 e 2011, tornando público os documentos que já haviam sido apresentados num processo judicial em Londres movido pela Crypto Open Patent Alliance contra Craig Wright, que alegava ser a verdadeira identidade do criador do Bitcoin.

Ainda que os e-mails divulgados não dêem nenhum indício de quem pode ser a pessoa por trás do nome Satoshi Nakamoto, eles revelam diversas informações muito interessantes sobre como funciona a mente do criador da Bitcoin, quais eram as preocupações no início do projeto e qual o futuro que ele imaginava. E, um tanto sem querer, também colocaram uma pá de cal na lenda de que ele também tinha cunhado o termo “criptomoeda”.

Em um e-mail enviado para Malmi em 11 de junho de 2009, Satoshi escreveu que tinha visto que alguém na internet havia inventado a palavra “criptomoeda” para se referir ao Bitcoin, e perguntava para Malmi o que ele achava do termo. No e-mail de resposta, Malmi respondeu que gostava sim da palavra, e que definitivamente era melhor do que chamar o Bitcoin de “dinheiro digital P2P”. Apesar de derrubar uma lenda, a descoberta desse fato cria uma nova missão para os detetivões da internet: descobrir quem criou o termo de verdade.

Visão do futuro

Os e-mails publicados revelam ainda outras informações bem interessantes, como uma preocupação de Satoshi sobre a anonimidade do Bitcoin. Desde o início ele já se preocupava em como isso poderia gerar riscos de desinformação sobre a moeda, e em um dos e-mails publicados ele afirma que, como estratégia, deveriam deixar de enfatizar o ângulo do anonimato para não causar a impressão de que as transações são automaticamente anônimas. Este desejo vinha de uma preocupação com a imagem da moeda, pois se investigações na blockchain começassem a encontrar informações sobre transações com o Bitcoin que os clientes até então acreditavam ser anônimas, isso poderia causar um enorme dano para a confiança das pessoas na criptomoeda. Satoshi também demonstra matematicamente nos e-mails que o sistema do Bitcoin poderia ser escalonado até um máximo de 100 mil nodes (aproximadamente o dobro do que existe hoje).

Mas talvez a frase mais interessante seja uma previsão que ele faz sobre a mineração de Bitcoins, que ele acredita que iria demandar um menor gasto energético do que as operações bancárias tradicionais. Ainda que esta informação possa parecer até engraçada frente às necessidades energéticas da mineração de criptomoedas – vistas hoje como um dos “vilões” da matriz energética global – um estudo de 2021 feito pela Galaxy Digital apontou que o gasto de energia das transações bancárias tradicionais pode ser o dobro do gasto usado com mineração de criptomoedas.

Claro, este resultado deve ser visto com um certo receio: afinal, não apenas é baseado em projeções (já que os bancos não são transparentes sobre o gasto energético de suas operações) mas também foi um estudo feito por uma empresa do mercado de criptomoedas e que tem interesse em mostrá-las como uma alternativa melhor do que o sistema financeiro atual. Mas, se esses números estiverem corretos, é apenas mais uma prova de como Satoshi Nakamoto pode ser um grande visionário de nossos tempos.

Com informações de Malmi e GitHub

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