A confiança do público na IA tá caindo mais do que as ações da Boeing

Se a gente for escutar o que os CEOs, influenciadores, jornalistas tech e todo aquele povo que não para de falar de IA,IA,IA todo dia, o dia inteiro, tem a dizer, a revolução das IA é a oitava maravilha do mundo e está pavimentando um futuro de nuvens de algodão, caminhos de tijolos dourados e onde todas as criaturas convivem na mais perfeita harmonia. Mas, se você for perguntar pro povão, as novas tecnologias estão sendo vistas com cada vez menos otimismo.

Ao menos é isso que revela a mais nova pesquisa da Edelman, que todo ano faz um levantamento com pessoas do mundo todo, das mais diferentes áreas de atuação, sobre qual é o nível de confiança que elas possuem nas novidades da tecnologia. E, quando o assunto é IA, essa confiança tem mais furos do que os aviões da Boeing tem parafuso faltando.

Declínio acelerado da confiança

Menos de 2 anos depois do começo da “revolução das IA” – marcado quando a OpenAI liberou o acesso público ao ChatGPT em novembro de 2022, permitindo que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, pudesse entender melhor o que exatamente era a tal IA generativa que iria definir o futuro – a confiança das pessoas na tecnologia erodiu rapidamente. 

Em 2019, a pesquisa havia indicado que 61% dos entrevistados confiavam plenamente na tecnologia das IA. Já na última pesquisa, este número caiu para 53% – uma diferença de 8% em apenas 4 anos. E essa queda se torna ainda mais impressionante porque acontece justamente num período em que as pessoas estão tendo um maior contato com a IA. Isso quer dizer que, quanto mais eles utilizam e conhecem a tecnologia, menor a confiança depositada nela.

Um dos possíveis motivos para essa queda tão acentuada é justamente o fato da IA ter se tornado cada vez mais tangível. Em 2019, falar de IA era quase como conversar sobre carros voadores: uma tecnologia que, ao mesmo tempo que soava possível, ainda parecia estar muito no futuro. E, com a chegada do ChatGPT, esse “futuro distante” se tornou muito mais presente – assim como os receios de que a IA iria acabar com empregos e substituir setores inteiros. Esse medo da IA e como ele está afetando a saúde mental dos trabalhadores é um dos temas do episódio de estreia do Innovation Hub Show.

Problemas de gestão

Outro ponto de destaque apontado pela pesquisa é de que a maioria dos entrevistados afirmaram que um dos grandes problemas da IA é que atualmente ela é “mal gerenciada”. Essas pessoas apontam como algumas das principais falhas a demora dos governos em definir limites e regras para regular o desenvolvimento desta tecnologia, e nas formas que ela poderá afetar a vida de todos.

Uma das maiores preocupações apontadas por quase todos os entrevistados é a questão da privacidade dos dados: a grande maioria não sente que as empresas que desenvolvem a IA estão preocupadas de verdade com a proteção dessas informações, e temem que os dados coletados sejam utilizados por pessoas má-intencionadas na criação de golpes cada vez mais mirabolantes.

Por isso, a população em geral tem dado cada vez menos atenção aos tais “evangelistas de IA”. desconfiando do otimismo extremo deles sobre o futuro. Por isso, cada vez mais as pessoas esperam que o desenvolvimento destas novas tecnologias seja liderado por cientistas sérios e “futuristas éticos”, que se preocupam não apenas com o resultado que ela pode oferecer mas também com todas as formas que essas ferramentas poderão afetar a vida das pessoas. Uma dessas futuristas mais reconhecidas pelo público é a Amy Webb, e ela também esteve no episódio de estreia do Innovation Hub Show.

Com informações de Axios


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