A nova cultura corporativa não inclui mesas de sinuca

A nova cultura corporativa não inclui mesas de sinuca

Acho que qualquer pessoa que tem mais de 25 anos se lembra daquilo que durante muito tempo foi considerado como exemplo de cultura corporativa: mesas de sinuca, happy hour de pizza, geladeira com sucos, “salinha de jogos” com videogames, etc. O escritório não era só um local de trabalho, mas o lugar onde você passava a maior parte do seu dia; seus colegas não eram uma equipe, mas uma “família”. 

Aí veio a pandemia em 2020, e uma das vítimas do chamado “long COVID” foi a ideia de que tudo isso que eu citei no parágrafo acima poderia ser chamado de “cultura”.

Uma disrupção na visão do que é trabalho

Muitas mudanças no mercado de trabalho foram aceleradas quando uma boa parte dos trabalhadores foi obrigada a sair dos escritórios e se virar para continuar fazendo seus trabalhos – e mantendo a produtividade – de suas casas. E isso mostrou uma nova faceta do trabalho: de que era bem possível conseguir fazer muita coisa assim.

Trabalhadores que antes achavam que, para conseguir o sucesso profissional que almejavam, era necessário dedicar suas vidas ao escritório, perceberam que era sim possível continuar produtivo trabalhando de casa. E não só isso: notaram um aumento na qualidade de vida com essa mudança. De repente, muitos perceberam que conseguiam executar suas funções com a mesma qualidade (ou melhor) sem precisar enfrentar engarrafamentos e ônibus lotados, ter uma alimentação mais balanceada, e até mesmo passar mais tempo com as pessoas que ama. E isso sem contar com a “gen Z”: uma geração de jovens que começou a entrar no mercado de trabalho de 2020 em diante, e que simplesmente não chegou a conhecer a antiga “cultura corporativa”.

Por isso, o movimento de muitas empresas de querer retornar para um mundo pré-2020 é algo que está fadado ao fracasso, pois as prioridades dos trabalhadores não são mais as mesmas. E os especialistas concordam: quem quiser forçar esse retorno para uma cultura corporativa ultrapassada vai acabar perdendo os melhores talentos do mercado.

A nova cultura

Mas o que é a nova cultura que vai atrair talentos nos próximos anos? A nova geração de trabalhadores pede apenas algumas “coisinhas básicas”: salários competitivos e iguais entre gêneros, possibilidade de trabalho remoto ou ao menos híbrido, e preocupações reais com temas como saúde mental, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e a preservação do meio ambiente são alguns dos fatores que mais chamam a atenção da nova geração que está entrando agora no mercado.
É hora de esquecer mesas de pingue-pongue e snack bars: a gen Z está dizendo em alto e bom som que, pra eles, o que constrói uma boa cultura é trabalhar num lugar que não exige que a vida toda seja dedicado ao trabalho, que permita uma vida digna tendo apenas um emprego, e que ninguém julgue quando precisar se afastar uns dias para se recuperar de uma doença. Você sabe, o básico.

Com informações da BBC

Compartilhe:

Não perca nenhum conteúdo!

Inscreva-se na newsletter do Innovation Hub Show

Não perca nenhum conteúdo!

Inscreva-se na newsletter do Innovation Hub Show

Faça parte da maior comunidade de tecnologia e inovação do país!

Siga o Innovation Hub Show nas redes sociais e onde você escuta seus podcasts.